Dicas para gestantes e mamães

Como ajudar as crianças a enfrentarem a perda e o luto?

O luto tem feito parte do dia a dia de muitas famílias durante a pandemia e lidar com os sentimentos de perda não é algo tão simples, principalmente para as crianças.

Entender o significado da vida, ainda mais quando se trata da morte, requer cuidados psicológicos para que possíveis traumas sejam evitados.

Algumas dicas para ajudar os pequenos a lidar com a morte e o luto:

 - A melhor forma de agir diante desta situação tão complexa é ser direto, proporcionando uma comunicação lúdica e não inventar histórias para a criança;

- Evite termos vagos para tentar amenizar como “dormiu para sempre”, “fez uma longa viagem” ou “virou uma estrelinha”, pois só irão confundir a compreensão;

- Proporcione um espaço de fala e escuta, onde possa compreender o que a criança está entendendo;

- Deixe que elas expressem seus sentimentos! Choro, raiva, frustração ou medo, por exemplo;

- Dê apoio a elas durante o período do luto. Acolha, abrace, converse.

A morte é um acontecimento difícil de explicar, mas caso a criança faça perguntas, não minta, responda-as com sinceridade e lembre-se que assim como nós, adultos, cada criança tem a sua maneira de reagir e sentir a dor da perda.

O luto tem feito parte do dia a dia de muitas famílias durante a pandemia e lidar com os sentimentos de perda não é algo tão simples, principalmente para as crianças.

Entender o significado da vida, ainda mais quando se trata da morte, requer cuidados psicológicos para que possíveis traumas sejam evitados.

Algumas dicas para ajudar os pequenos a lidar com a morte e o luto:

 - A melhor forma de agir diante desta situação tão complexa é ser direto, proporcionando uma comunicação lúdica e não inventar histórias para a criança;

- Evite termos vagos para tentar amenizar como “dormiu para sempre”, “fez uma longa viagem” ou “virou uma estrelinha”, pois só irão confundir a compreensão;

- Proporcione um espaço de fala e escuta, onde possa compreender o que a criança está entendendo;

- Deixe que elas expressem seus sentimentos! Choro, raiva, frustração ou medo, por exemplo;

- Dê apoio a elas durante o período do luto. Acolha, abrace, converse.

A morte é um acontecimento difícil de explicar, mas caso a criança faça perguntas, não minta, responda-as com sinceridade e lembre-se que assim como nós, adultos, cada criança tem a sua maneira de reagir e sentir a dor da perda.

Coronavírus e gestantes

Dr. Wagner Vicensoto, obstetra do Hospital de Criança e Maternidade

 

Embora a gestação não torna a paciente mais suscetível ao coronavírus do que a população geral, o Ministério da Saúde incluiu grávidas em qualquer idade gestacional, puérperas até duas semanas após o parto (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal), como condições e fatores de risco a serem considerados para possíveis complicações da síndrome gripal.

Por isso, mulheres que estejam tentando engravidar, seja de forma natural ou com acompanhamento médico, é sugerido que adiem seus planos.

É importante reforçar que o ambiente hospitalar é o local mais adequado e seguro para a realização do parto, mesmo em gestantes assintomáticas e de risco habitual. Os hospitais e maternidades possuem normas de segurança e cuidados específicos para a redução do risco de transmissão de doenças.

A presença de acompanhante será permitida, sendo recomendável que seja um por paciente durante toda a internação, com idade entre 18 e 59 anos, sem sintomas gripais nos últimos 14 dias que antecedem a internação, que resida no mesmo domicílio que a parturiente e não possua doença crônica. O acompanhante deve utilizar máscara e tomar todos os cuidados gerais de contato e higienização. Isso significa que o acompanhante deve respeitar o distanciamento social, usar máscara o tempo todo e higienizar as mãos frequentemente.

Geralmente, a infecção por coronavírus não é uma indicação para o parto, entretanto indicam-se a antecipação do parto e a realização de cesárea nos casos de gestantes que evoluam com sintomas graves ou críticos. Em gestantes com boas condições clínicas, sintomas leves e feto com boa vitalidade, o parto normal é seguro e recomendável.

A mulher que teve ou está com o coronavírus poderá amamentar desde que mantenha os cuidados de assepsia, como lavar bem as mãos e usar máscara durante o aleitamento.

Coronavírus x Gravidez

Fabrício de Freitas Sousa, obstetra do Hospital da Criança e Maternidade

 

Esse momento de pandemia que estamos vivendo pode fazer com que você, gestante, fique confusa e não saiba o que deve fazer ou quando deve procurar o hospital.

As consultas de pré-natal não devem parar e se você estiver sentindo algo e não puder esperar a consulta com seu médico, deve procurar uma Emergência Obstétrica para ser avaliada. O médico poderá avaliar se há sinais de trabalho de parto, diminuição dos movimentos fetais, sangramento ou perda de líquido, por exemplo.

Se você apresentar sintomas respiratórios como febre, coriza e tosse, deve ficar em casa em isolamento social. Caso apresente falta de ar, busque ajuda, vá à emergência.

Até o momento não existem registros de problemas ao nascer ou alguma má formação em bebês de grávidas infectadas pela Covid-19, porém as gestantes são consideradas grupo de risco por ficar com a imunidade comprometida durante a gestação.

A recomendação é que você permaneça em casa e evite ao máximo sair. Evite também receber visitas nesse período tão delicado e tão importante para você e seu bebê. As pessoas que convivem com você também devem se proteger ao chegar em casa, estando sempre atentos às medidas de higiene como a lavagem das mãos.

Não há motivo para pânico, mas é necessário redobrar os cuidados. Higienize sempre as mãos, mantenha os ambientes arejados e as superfícies limpas, saia apenas quando for realmente necessário e use máscara sempre que sair.

Coronavírus x Prematuros

Maria Carmen L. Monteiro de Carvalho, neonatologista e coordenadora da UTI e UCI Neonatal do Hospital da Criança e Maternidade

 

Enquanto a pandemia causada pelo coronavírus se espalha pelo mundo causando angústia e incertezas, todos estão começando a se convencer da importância do distanciamento social como estratégia de combate à propagação do vírus. 

Sabemos que esse isolamento é fundamental principalmente para bebês prematuros, pois com isso conseguimos garantir que ele mantenha sua imunidade adequada. Em tempos de Covid-19 reforçamos aos pais de bebês prematuros e também a termo (bebês que nasceram após as 37 semanas de gestação) a importância de ficarem em casa com seus filhos e restringirem visitas. 

Não há evidências de que haja a transmissão vertical do SARS COV2 (novo coronavírus), ou seja, através da placenta. O bebê pode ter os anticorpos mas sem o isolamento do vírus. 

Mães com Covid-19 podem ter maior probabilidade de complicações como sofrimento fetal e risco aumentado de prematuridade. 

A transmissão após o nascimento é possível, mas a maioria dos casos é leve e tem evolução benigna. 

Felizmente nossos bebês têm sido poupados dessa doença tão grave que tem tirado tantas vidas no mundo todo.

Devo levar meu bebê ao pediatra todos os meses mesmo durante a pandemia?

Ana Lidia Del Vecchio, pediatra do Hospital da Criança e Maternidade

 

Você que têm filhos deve se perguntar a todo instante quando, como, por que e para que devo sair de casa neste momento de pandemia. Quando nos referimos à saúde das crianças este questionamento deve ser feito mediante às circunstâncias e necessidades e também com muito cuidado. A pandemia da Covid-19 nos trouxe modalidades de cuidados antes não tão usuais como os atendimentos domiciliares e a telemedicina. 

Veja abaixo algumas dicas que podem ajudar as mamães nesta decisão de sair de casa à procura de atendimento pediátrico mensal/puericultura (acompanhamento mensal que consulta peso, altura e condições físicas do bebê):

Consultas Domiciliares: vale a pena conversar com o pediatra que você escolheu para seguimento de puericultura de seu filho(a) sobre a possibilidade de atendimento domiciliar, principalmente para os bebês menores de 1 ano. 

Telemedicina: caso você tenha alguma dúvida simples ou precisa verificar o resultado de exames por exemplo, há a possibilidade da realização das tele consultas por meio de plataformas criadas para atuação das especialidades médicas. Mas lembrem-se, nem toda dúvida é "simples"! Sempre entre em contato com o médico para que ele possa auxiliar nesta decisão. 

Quando há algo de não habitual acontecendo com a criança: febre, mal-estar, cansaço, mudança no comportamento da criança por exemplo, são situações em que há necessidade de atendimento presencial, pois o exame físico será essencial nestes casos. 

As dicas acima não excluem os atendimentos presenciais mensais nos consultórios para puericultura. Mesmo que seu médico não esteja realizando consulta domiciliar nem telemedicina, com certeza ele se preparou para receber você mesmo em meio à pandemia e vai te orientar como proceder durante a ida ao consultório médico e todas as medidas de higiene a serem tomadas (lavagem das mãos, utilização de álcool gel e máscaras).  

Dicas para gastar energia das crianças durante a pandemia

A pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19) tem trazido mudanças na vida cotidiana das crianças e adolescentes. É importante considerar as mudanças nos aspectos psicossociais e não perder de vista a interação entre corpo e mente.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças e adolescentes deveriam acumular 60 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por dia, incluindo modalidades que estimulem ossos, músculos, mobilidade articular e exercícios envolvidos no desenvolvimento motor e de habilidades como equilíbrio e coordenação.

Devido alterações na rotina familiar, atender às recomendações de prática de atividades físicas tem sido um desafio. A adaptação pode incluir jogos tradicionais de recreio em ambientes fechados, tais como:

  • Bambolê
  • Cabra-cega
  • Amarelinha
  • Pular corda
  • Pega-pega
  • Esconde-esconde
  • Jogar bola
  • Caminhar sobre corda no chão

Caso a atividade escolhida seja praticada na rua ou em parques como andar de bicicleta, patins ou patinete, é importante o uso de máscara e o distanciamento das outras pessoas que estiverem no local. Mas a orientação é que os pais deem preferência para atividades que possam ser realizadas em casa.

Assim como os adultos, as crianças também devem ficar em casa e ser orientadas quanto à higiene das mãos, distanciamento social e uso de máscara quando necessário sair.

Manter a mente e o corpo ativos tornará este momento mais rico e mais breve. Brinquem!

 

Referencias bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES/Fiocruz). Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Pandemia COVID-19: Recomendações para o Cuidado de Crianças em Situação de Isolamento Hospitalar, 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES/Fiocruz). Nova cartilha de saúde mental aborda crianças na pandemia. Crianças na Pandemia Covid-19, 2020.

BEBÊ. 14 atividades para fazer em casa com crianças de 6 meses a 6 anos. Disponívelem: https://bebe.abril.com.br/desenvolvimento-infantil/15-atividades-para-fazer-em-casacom-criancas-de-6-meses-a-6-anos/. Acesso em: 21 jul. 20

CREPALDI, Geise Daniele Milagres. A criança de 3 e 4 anos na creche. Campinas SP. 2011. Disponível em :<https://paisefilhos.uol.com.br/crianca/15-brincadeiras-criativas-edivertidas-para-criancas-de-3-anos/>. Acesso em 21 jul. 20

GUTMAN, L. A maternidade e o encontro com a própria sombra. 16º.ed. Rio de Janeiro: Bestseller, 2019.

LORENA, L. "12 dicas de homeschooling para organizar a rotina das crianças na quarentena". Disponível em: <https://www.semprefamilia.com.br/educacao-dosfilhos/dicas-homeschooling-organizar-rotina-criancas-quarentena/>. Acessado em 21 jul. 20

OLIVEIRA, L. KLOSS, C. MARANGON, C. LUHM, K. BECKER, M. Caderneta de saúde da criança curitibana. Disponível em: http://www.saude.curitiba.pr.gov.br/programas/saudeda-crianca/cartilhas.html. Acesso em: 21 jul. 20

Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Adolescência. Nota de Alerta: Como possibilitar que crianças e adolescentes pratiquem atividades físicas com segurança pós-quarentena da COVID-19?. Rio de Janeiro: SBP, junho 2020.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Adolescência. Nota de Alerta: Como ajudar crianças e adolescentes com dificuldades do desenvolvimento a enfrentar o confinamento durante a pandemia de COVID-19?. Rio de Janeiro: SBP, junho 2020.

Mitos e verdades da amamentação

Marina Vanzela Lania, pediatra da UTI neonatal do Hospital da Criança e Maternidade

 

  1. Amamentar dói.
    MITO. Amamentar pode causar um leve desconforto nos primeiros dias, porém se apresentar dor intensa, a técnica da mamada deve ser avaliada.
     
  2. Produzo leite demais (ou de menos).
    MITO. Sua produção de leite será suficiente para o seu bebê. Algumas mães podem ter hiperlactação, uma produção maior do que o bebê consegue consumir e isso deve ser acompanhado.
     
  3. O bebê deve mamar a cada duas ou três horas.
    MITO. Os bebês devem mamar em esquema de LIVRE DEMANDA, isto é, sempre que eles solicitarem, independente do horário. Esqueça o relógio.
     
  4. É preciso revezar os dois seios para amamentar.
    MITO e VERDADE. Depende de cada mamada e da época da amamentação. Nos primeiros dias (colostro) não faz diferença, já depois da descida do leite, pode ser preciso revezar sim.
     
  5. Cerveja preta, canjica e caldo de cana aumentam a produção de leite.
    MITO. O que aumenta a produção de leite é, principalmente, o bebê mamar em livre demanda e uma boa ingesta de líquido (água) pela mãe.
     
  6. Pegar sol nos seios ajudam.
    VERDADE. Tomar sol nos mamilos pode ajudar na cicatrização de algumas lesões e reduzir o incômodo.
     
  7. Amamentar fortalece o vínculo entra mãe e bebê.
    VERDADE. Um dos maiores benefícios da amamentação é o fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê.
     
  8. Amamentar durante uma segunda gestação pode prejudicar o desenvolvimento do bebê no útero.
    MITO. Se a gestação não for de risco, pode manter o aleitamento durante a gestação normalmente.
     
  9. Meu bebê vai sentir sede se eu não der água para ele.
    MITO. O leite materno tem quantidade suficiente de água para manter a hidratação dos bebês, isso significa que até o sexto mês de vida do seu filho ele não precisará de nada além do seu leite.
     
  10. Amamentar exige uma mudança na alimentação da mãe.
    MITO. Não existem alimentos que são contraindicados na amamentação. Porém uma alimentação saudável sempre será mais benéfica para a mãe e para o bebê. Lembre-se que a sua alimentação será a alimentação do seu pequeno.
     
  11. O tipo de parto interfere na amamentação.
    MITO. O que interfere na amamentação é o início do trabalho de parto, quando o organismo e o bebê já estão prontos para o nascimento. Mães que não entram em trabalho de parto podem demorar mais para terem a descida do leite.
     
  12. Mulheres que fizeram redução mamária ou colocaram prótese de silicone não conseguem amamentar.
    MITO. O que pode acontecer é uma dificuldade maior na ejeção do leite caso haja lesão dos ductos mamários. Essas mulheres podem ter mais dificuldade, o que não quer dizer que elas não conseguirão.
     
  13. Leite congelado, mesmo quando tirado da mama, não possui os mesmos nutrientes.
    MITO. O leite quando armazenado e descongelado de maneira adequada não perde nutrientes.
     
  14. Após o sexto mês de vida do bebê não é necessário amamentar.
    MITO. O aleitamento materno deve ser mantido no mínimo até o 2º ano de vida e exclusivamente até o 6° mês de vida.
     
  15. Mulher que amamenta não corre o risco de engravidar.
    MITO. As chances de engravidar diminuem quando a mulher está em aleitamento materno exclusivo, mas isso não garante que a mulher não engravide.
     
  16. Algumas mulheres não conseguem amamentar porque têm o leite fraco.
    MITO. NÃO existe leite fraco. O que pode acontecer é a falta de apoio durante esse processo de aleitamento materno.
     
  17. Estresse atrapalha na produção de leite.
    VERDADE. O emocional da mãe é extremamente importante para a manutenção da amamentação, por isso o estresse pode prejudicar a produção do leite.
     
  18. Amamentar emagrece.
    MITO. Algumas mulheres não emagrecem enquanto estão amamentando.
     
  19. A amamentação dever ser exclusiva até os 6 meses do bebê.
    VERDADE. É preconizado o aleitamento exclusivo até o 6º mês do bebê e incentivado que seja mantido, no mínimo, até o 2º ano de vida dele.
     
  20. Se a mãe tiver dificuldade para amamentar seu bebê, ele pode mamar no seio de outra mulher.
    MITO. A amamentação cruzada, que é quando uma mulher amamenta o filho de outra, oferece risco de infecção/contaminação dos bebês.
     
Mitos e verdades da introdução alimentar

Isabela Garcia da Cunha Guimarães, nutricionista clínica do Hospital da Criança e Maternidade

 

  1. Os alimentos devem ser batidos e/ou liquidificados para o bebê não engasgar.
    MITO. Se a introdução alimentar for iniciada com alimentos líquidos, os bebês terão mais dificuldade em aceitar alimentos sólidos no futuro, ele ficará “preguiçoso”. A consistência adequada é aquela que não escorre da colher, que é firme e que dá trabalho para mastigar.
     
  2. Não se pode brincar ou tocar na comida.
    MITO. Nesse momento de introdução alimentar os lactentes estão descobrindo os alimentos, suas texturas, sabores e cheiros. Toda essa experiência é extremamente sensorial para eles, portanto permita que eles toquem e brinquem com os alimentos sempre que tiverem curiosidade.
     
  3. As papas salgadas e doces não podem conter açúcar ou sal.
    VERDADE. A adição de açúcar e sal só trazem malefícios aos bebês. Condiciona obebê a criar um paladar extremamente apegado a preparações doces e salgadas. Ao preparar as papas prefira temperos naturais (cebola, alho, ervas) e alimentos in natura.
     
  4. Não se deve obrigar a criança a comer tudo que está no prato.
    VERDADE. É importante ter paciência no horário das refeições, respeitar os sinais de fome e saciedade da criança e evitar comportamentos que possam piorar a situação, como forçar a comer, brigar ou bater e oferecer recompensas, prêmios ou guloseimas como presentes para convencê-la a comer.
     
  5. Devo oferecer o mesmo alimento até 10 vezes para meu bebê antes de concluir que ele não gosta.
    VERDADE. A exposição frequente aos alimentos e a criatividade na preparação e apresentação facilita a aceitação durante a introdução alimentar. São necessários de 8 a 10 exposições ao mesmo alimento antes de concluir que o bebê não gosta de determinado alimento.
     
  6. Meu filho fez cara feia quando ofereci um alimento, isso quer dizer que ele não gosta.
    MITO. Isso quer dizer que seu filho ainda está descobrindo e se adaptando aos sabores e texturas dos alimentos. Trata-se de um período de aprendizado, cheio de novidades.
     
  7. Crianças devem comer grãos integrais.
    VERDADE. Esses alimentos são fontes importantes de fibras alimentares, que atuam no funcionamento intestinal. Além disso, a oferta excessiva de carboidratos simples (farinhas brancas) predispõe o desenvolvimento de doenças crônicas na vida adulta.
     
  8. A dificuldade alimentar vai passar com o tempo.
    VERDADE. A introdução alimentar é só mais uma fase de desenvolvimento das crianças. Devemos estimular a autonomia alimentar da criança, conforme ela for crescendo, visando uma relação saudável com a comida quando adulto.
     
  9. Os bebês não podem ter uma alimentação vegetariana ou vegana.
    VERDADE. A restrição do consumo de peixes, ovos, carnes e laticínios pode provocar deficiências importantes de vitaminas e minerais. Caso seja opção da família manter o vegetarianismo, esses nutrientes deverão ser suplementados sob orientação do pediatra e nutricionista.
     
  10. Os alimentos preferidos pelas crianças são os de sabor doce e muito calóricos.  
    VERDADE. Os bebês já nascem com um gosto inato para o doce e uma aversão ao amargo. Quanto mais precoce for a exposição a alimentos industrializados, ricos em gorduras e açúcares, maior o interesse das crianças e, consequentemente, o surgimento dos malefícios quando maiores.
     
  11. Crianças menores de 1 ano não podem comer frutas cítricas.
    MITO. Não há nenhuma contraindicação de frutas aos lactentes em introdução alimentar. O tipo de fruta ofertada deverá respeitar as características regionais, custo, estação do ano e presença de fibras.
     
  12. Sucos, exclusivamente os naturais, podem ser oferecidos para as crianças a partir dos 2 anos.
    VERDADE. Trocar a oferta de frutas pelos sucos não traz nenhum benefício aos bebês. Ao mastigar uma fruta, a criança exercita a musculatura da boca e do rosto e sente sua textura. Os sucos perdem uma grande quantidade de fibras; geralmente são adicionados de açúcar, podendo levar ao desenvolvimento de cárie e excesso de peso, entre outros problemas de saúde. Além disso, o consumo de suco reduz a ingestão de água.
     
  13. Bebês devem receber suplementação de vitamina D.
    VERDADE. Nos primeiros dias de vida deve-se iniciar a suplementação de vitamina D aos recém-nascidos, respeitando prescrição do pediatra. Apesar de toda a riqueza nutricional do leite materno, ainda há a necessidade da suplementação como prevenção, o que também vale para as crianças em uso de formula infantil.
     
  14. Crianças menores de 1 ano não podem ingerir ovos.
    MITO. Os ovos são uma excelente fonte de proteínas e gorduras, além de serem acessíveis para a maior parte da população, e devem estar presentes desde o início da introdução alimentar. Só haverá restrições se o bebê apresentar reações alérgicas ao consumi-los.
     
  15. As crianças precisam realizar três refeições por dia.
    MITO. O número de refeições ao longo do dia e a quantidade de alimentos oferecidos devem aumentar conforme a criança cresce para suprir suas necessidades. Ao completar 1 ano a criança já deve estar fazendo as principais refeições com a mesma comida do restante da família.
     
  16. Criança “gordinha” é sinal de saúde.
    MITO. O excesso de peso é cada vez mais comum nos primeiros anos de vida e está diretamente relacionado a oferta de alimentos industrializados, ricos em açúcares e sal, durante a introdução alimentar. Os pais devem sempre questionar durante as consultas se o peso e estatura de seus filhos está adequado para a idade.
     
  17. Crianças não podem ingerir peixe cru independente da idade.
    MITO. Não é recomendada a oferta de peixe cru para crianças menores de 2 anos. As crianças menores ainda não têm um sistema imunológico completamente desenvolvido e esses alimentos possuem um maior risco microbiológico. Além disso, todo alimento cru exige um maior trabalho para ser digerido.
     
  18. Amassar e não liquidificar os alimentos ajuda a desenvolver a musculatura da boca dos bebês.
    VERDADE. Essa consistência é fundamental para o desenvolvimento da face e dos ossos da cabeça, colaborando para a respiração adequada e o aprendizado da mastigação.
     
  19. É melhor o bebê comer frutas sem casca.
    MITO. Sempre que possível ofereça frutas com casca, elas são ricas em fibras e auxiliaram no desenvolvimento da mastigação. Porém, deve-se sempre higienizar bem todos os alimentos que são consumidos crus e com casca, como as frutas e verduras, o ideal é que sejam deixados de molho em solução clorada.
     
  20. Um cardápio completo de introdução alimentar deve conter apenas frutas e verduras.
    MITO. Durante o processo de introdução alimentar deve-se oferecer uma grande variedade de alimentos, sendo que as papas principais devem conter pelo menos um alimento de cada grupo: cereais ou tubérculos, leguminosas, carnes e ovos, hortaliças e óleo vegetal, além das frutas.
     
  21. Leite de vaca não é indicado para bebês menores de 1 ano.
    VERDADE. O leite de vaca não fornece para a criança todos os nutrientes de que ela necessita. As quantidades excessivas de proteínas, sódio, potássio e cloro do leite de vaca podem sobrecarregar os rins da criança nos primeiros meses de vida.
     
  22. Bebês menores de 1 ano não podem ingerir mel.
    VERDADE. Nessa faixa etária, os esporos do Clostridium Botulinum, capazes de produzir toxinas na luz intestinal, podem causar o botulismo.
     
  23. Pode-se substituir a água por água de coco, pois é mais saudável.
    MITO. A oferta de água de coco, como substituto da água, é desaconselhável, devido à presença de sódio e potássio em sua composição.
     
  24. Deve-se limitar o consumo de doces e refrigerantes para as crianças em 1 porção ao dia.
    MITO. Não se deve oferecer doces e refrigerantes a lactentes em introdução alimentar, recomenda-se que quanto mais tardio for o contato das crianças com esses alimentos melhor. E não precisa ter dó, os bebês não sentem vontade do que eles não conhecem.
     
  25. Crianças podem consumir café independentemente da idade.
    MITO. A cafeína que está presente no café, no mate, no chá preto, no chá verde, no chocolate e em refrigerantes à base de cola é estimulante, podendo deixar a criança agitada, por isso, essas bebidas não devem ser oferecidas à criança.
     

Referências:

Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primaria à Saúde, Departamento de Promoção da Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2019.

Manual de alimentação: da infância à adolescência. Sociedade Brasileira de Pediatria. São Paulo: SBP, 2018.

Mitos e verdades dos bebês

Dra. Gabriela Maset, pediatra do Hospital da Criança e Maternidade

 

  1. Bebês sentem mais frio que os adultos.
    Verdade. Os bebês sentem um pouco mais de frio que os adultos, mas também não podemos aquecê-los demais, sempre digo que se coloca no bebê uma roupinha a mais em comparação com o que o adulto está vestindo.
     
  2. O umbigo do bebê deve ser coberto até que caia.
    Mito. O umbigo deve ser limpo somente com álcool 70% e não precisa necessariamente ficar coberto.
     
  3. Recém-nascidos não enxergam as cores.
    Verdade. Nos primeiros dois meses o bebê enxerga bem embaçado, e muito melhor o branco e preto, após este período vai sofrendo maturação do cérebro na área de visão e passando a enxergar o colorido.
     
  4. As unhas do bebê devem ser cortadas logo após o nascimento.
    Mito. A unhas do bebê podem sem cortadas em casa com todo cuidado, mas não devem se cortadas ainda no hospital.
     
  5. O recém-nascido não deve sair de casa.
    Verdade. Ele ainda não recebeu a vacina que protege contra doenças graves que podem acometer o bebê como coqueluche, pneumonia e meningite. O bebê só deve sair de casa após 2/3 meses de vida.
     
  6. O recém-nascido sente sede.
    Verdade. Ele até sente sede, porém o Leite Materno tem muita água na sua composição, então não há necessidade de dar água para o recém-nascido.
     
  7. É preciso ter muito cuidado para não bater a moleira do recém-nascido.
    Verdade. A moleira do recém-nascido vai se fechar, em média, até os 18 meses de vida, a da frente. Na verdade, deve-se tomar cuidado para não bater a cabeça dele de forma geral, pois o recém-nascido ainda tem estruturas muito frágeis.
     
  8. Banho e chá de picão melhoram a icterícia (coloração amarelada da pele) do recém-nascido.
    Mito. Cientificamente não há trabalhos que comprovem que o banho melhora a pele do bebê e o chá não pode ser oferecido de maneira alguma, apenas leite materno deve ser dado até o 6º mês de vida do bebê.
     
  9. Alimentos ingeridos pela mãe podem causar cólicas no bebê.
    Nem mito, nem verdade. A mãe deve comer de tudo, mas lembrando que a alimentação de quem amamenta deve ser saudável ou pelo menos próximo disto, porém existem alguns alimentos que a mãe pode perceber que não faz bem para ela nem para o bebê, estes devem ser evitados.
     
  10. É preciso dar palmadinhas nas costas do bebê para ele arrotar.
    Mito. Não é preciso dar palmadinhas para ele arrotar, o bebê deve sim ficar de pé logo após mamar, pois todos os bebês têm uma condição conhecida como refluxo fisiológico, o leite volta mais fácil. Ele só vai arrotar se engolir ar.
     
  11. Vídeos educativos deixam o bebê mais inteligente.
    Mito. Deve-se evitar telas antes dos dois anos de idade. As brincadeiras manuais são muito melhores e estimulam muito mais os bebês.
     
  12. Jogar o bebê para o alto “vira o ar”.
    Nem mito, nem verdade. Este termo é bem difundido, mas na verdade jogar o bebê para o ar pode causar danos às estruturas dentro do cérebro, além do risco de quedas. Então, não jogue seu bebê para o alto.
     
  13. O bebê deve dormir de lado para evitar refluxo e engasgo.
    Mito. A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é de que os bebês durmam de barriga para cima, porque o risco de asfixia é menor, mesmo no caso de bebês com refluxo.
     
  14. Todo bebê tem cólica nos primeiros 3 meses de vida.
    Mito. A maioria deles vão apresentar, por imaturidade do sistema gastrintestinal, porém alguns fogem da regra e passam esta fase muito bem.
     
  15. Quando os dentes do bebê estão nascendo ele tem febre.
    Verdade. O início da dentição gera uma resposta inflamatória e pode dar febre baixa.
     
  16. Bolsa de água quente melhora a cólica.
    Verdade. As compressas mornas melhoram muito a cólica, mas cuidado para não queimar a pele do bebê.
     
  17. Chupeta faz os dentes do bebê ficarem tortos.
    Mito. A chupeta altera mordida, tipo de respiração e todo formato da mandíbula, além disso as crianças que chupam chupeta tem mais infecção de ouvido, sinusite e adenoide grande.
     
  18. O soluço do bebê passa quando colocamos uma bolinha de lã na testa dele.
    Mito. O soluço é uma reação do diafragma do bebê, então passa sozinho.
     
  19. As crianças não entendem muito bem o mundo ao seu redor.
    Mito. Elas absorvem tudo do ambiente e cada vez mais aumentam sua capacidade de assimilar sentimentos.
     
  20. Quando o bebê já tem 1 ano ele já deve andar.
    Mito. Muitos demoram mais para andar e só farão mais tarde. Cada criança tem seu tempo. Na dúvida, sempre consulta o pediatra.
     
  21. É normal uma criança de 2 anos não falar.
    Mito. Não é normal uma criança com 2 anos de idade não falar. Até 18 meses de vida, a criança deve falar pelo menos 6 palavras, até 2 anos essa criança usa frases com 2 palavras.
     
  22. Não falar o R ou falar errado é normal até os 5 anos.
    Nem mito, nem verdade. Podem existir erros na fala sim, mas aos 5 anos é necessária uma avaliação em conjunto com fonoaudióloga e neuropediatra.
     
Riscos e enfrentamento para crianças com necessidades específicas

Lucas Teixeira Menezes/ Débora Grigolette Rodrigues/ Daniela Barbosa Dias/ Mariana Alves Porto/ Beatriz Alessi Minto/ Hélida Silva Marques

 

O processo de entendimento das crianças e adolescentes perante uma situação de pandemia pode ser delicado e exige um processo de compreensão das crianças e um posicionamento adequado dos familiares, visando minimizar emoções negativas como a ansiedade, medo, frustração e raiva.

A situação atual repercute ainda mais nas crianças e adolescentes com problemas do desenvolvimento, por exemplo, aquelas com transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e síndrome de Down, impedimentos corporais e experiências de sofrimento psíquico, o distanciamento social e a abrupta interrupção da rotina têm intensificado os impactos em sua saúde, desde a desorganização sensorial e psicológica, até perdas motoras.

Considerando que as crianças e adolescentes tem uma forma diferente do adulto de compreender a pandemia e de comunicar seus sofrimentos e pesares, é importante pensar estratégias de cuidado específicos para eles, tais como: prestar atenção ao que as crianças e os adolescentes têm a dizer, se ele for verbal, estimule-o a expressar como se sente e pergunte sobre as preocupações dele, e procure tranquilizá-lo. Se ainda não tiver habilidades verbais, dê atenção especial aos gestos e às variações do comportamento, que podem denunciar o grau de desconforto. Solicite auxílio de um profissional sempre que necessário.