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Serviços de Fonoaudiologia e Otorrinolaringologia do Ambulatório oferecem tratamento multiprofissional e de inclusão socioeducativa a deficientes auditivos

14/11/2017

O tema deste ano da redação do Exame Nacional do Ensino Médio, Enem, cuja prova foi aplicada em 5 de novembro, jogou luz sobre um problema muito comum relacionado aos deficientes auditivos: o desafio em suas formações educacionais. Uma das funções da Saúde é, também, tratar estes pacientes de forma global, enxergando suas limitações e os estimulando a superá-las, de maneira a oferecer a eles maior autonomia e a incluí-los socialmente.

Sob esta visão, as equipes de Fonoaudiologia e da Otorrinolaringologia do Ambulatório de Especialidades foca em descobrir a deficiência auditiva precocemente, escolher a melhor alternativa em aparelhos auditivos, se for o caso, de acordo com o grau da deficiência, e tratar de maneira a desenvolver o máximo da oralidade destes pacientes. A Triagem Auditiva Neonatal, conhecida como “teste da orelhinha”, que é obrigatória nos primeiros dias de vida, tornou este diagnóstico mais fácil e ágil. “A prevalência de deficiências auditiva é de um a três em cada mil nascidos. Portanto detecção precoce nestas crianças é fundamental para que todos seus sentidos, não só a audição, desenvolvam-se com mais contundência”, explica o médico do Serviço de Otorrinolaringologia do Ambulatório, Dr. Maury Faria Júnior.

Quando detectado algum problema, o Serviço de Fonoaudiologia acompanha estes pacientes, inclusive oferecendo assistência à família e alternativas para a educação. No entanto, até alguns anos atrás, este diagnóstico era tardio, pois partia da convivência dessa criança com ouvintes e se percebia que ela não desenvolvia a fala como os outros. Sobre o assunto, a chefe do Serviço de Fonoaudiologia, Magali Orate, explica que quando sanado o problema da falta de recepção do som (por meio de aparelho auditivo ou implante coclear) o caminho que o deficiente toma para criar significado às coisas e às palavras é diferente de um ouvinte, mas que seu intelecto não é prejudicado. “É o mesmo que alguém que não fala russo ficar ouvindo um russo falar. Ele capta o som, escuta o que está sendo dito, mas não compreende o significado”. Por isso, segundo Magali, a importância não só de oferecer meios de escutar, mas de dar uma assistência no desenvolvimento da linguagem e fala, reabilitando este paciente a conviver normalmente com os ouvintes.

Este foi o caso de Giane Alves Aguiar Morais, de 27 anos. “Eu comecei a falar com 7 anos, apenas. Minha mãe percebeu algo de errado e aos 2 anos de idade levou-me ao médico. Fui encaminhada para fazer tratamento no Ambulatório, onde recebi aparelho auditivo e fiz minha reabilitação. Hoje, compreendo bem e consigo me comunicar falando. Graças ao apoio que recebi de minha mãe e dos profissionais que me atenderam, conquistei muitas coisas, por exemplo, trabalho há 9 anos na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), como Auxiliar de Serviços Internos e Externos, casei-me, tenho uma filha de 4 anos e recentemente até tirei carteira de habilitação para dirigir”, conta Giane.

Tendo como um de seus pilares a promoção da inclusão, o Instituto Lucy Montoro abriu vaga, no ano passado, para deficientes trabalharam na Unidade. Valéria Beserra Alves, desde outubro de 2016 no faturamento do Instituto, foi quem conseguiu o trabalho. A auxiliar administrativa tem cerca de 40% de perda auditiva e afirma: “todos me tratam muito bem aqui. Até me tiraram da recepção do Lucy e me colocaram no faturamento, sabendo que lugares mais silenciosos são mais confortáveis para eu trabalhar”.

 

Inclusão Educacional

A reabilitação de pacientes com deficiência auditiva promovida pelo Ambulatório acontece em diversas esferas; uma delas é a educação. Como maneira de tornar o aprendizado mais fácil, sem excluir este paciente do ensino regular nas escolas, a instituição, por meio do Sistema Único de Saúde, SUS, oferece um sistema de transmissão de voz via wireless para ser usado em sala aula.

“Àqueles pacientes em idade escolar que já estão em reabilitação na fonoaudologia, aprendendo a desenvolver a linguagem por meio da oralidade e com o aparelho auditivo mais adequado, oferecemos um sistema de transmissão de som, no qual o professor usa um microfone tipo de lapela, bem pequeno na camiseta. Daí, então, ele liga uma caixinha transmissora que joga o som diretamente no aparelho auditivo. Isso permite que o professor dê a aula dele normalmente, sem prejudicar o deficiente auditivo, quando, por exemplo, vira-se para escrever na lousa”, explica Magali.
A fonoaudióloga elucida, ainda, que estes professores são orientados pelos profissionais do Serviço no uso do sistema e que a educação destes deficientes deve ser exatamente a mesma dadas aos ouvintes, ou seja, o tratamento a estes pacientes vai além do consultório. “Nós orientamos tanto os professores, quanto os familiares, que ninguém faça nada pelo deficiente; ler por ele, falar por ele e etc. Independente da deficiência, cada ser humano tem um velocidade e um meio próprio de se desenvolver o aprendizado. E, no nestes casos, não é diferente. Superproteger pode impedi-los de terem uma vida normal”, pontua Magali.

 


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